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Clínica Dr. Jorge Hallak

Estudo publicado na revista Nature revelou que mudanças climáticas podem afetar a fertilidade.

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Em todo o mundo, um assunto se tornou alvo da preocupação de governantes e cientistas: as mudanças climáticas. As ondas de calor que vivemos hoje trazem sérios impactos para o meio ambiente e o futuro do planeta. Ainda mais alarmante é a previsão de que elas devem se tornar mais longas, mais intensas e mais frequentes. Esses eventos geram condições térmicas extremas, e têm impacto reconhecido na saúde humana.  

 

Centenas de estudos apontam para a relação entre as mudanças climáticas e a extinção de diversos ecossistemas. Mas para a sobrevivência das espécies, as funções reprodutivas devem se manter íntegras. Será que as mudanças climáticas têm impacto também na fertilidade e na habilidade de reprodução? Essa é a pergunta que um estudo realizado com insetos buscou responder.  

 

Os seres de “sangue frio” 

É sabido que existe uma sensibilidade dos órgãos masculinos a elevadas temperaturas em seres endotérmicos (antigamente chamados de seres de “sangue quente”), cuja temperatura corporal permanece estável independente das alterações ambientais, como é o caso dos mamíferos e das aves. Nestas espécies, mesmo aumentos leves de temperatura podem interromper a função reprodutiva. Nos mamíferos, adaptações naturais permitem que os testículos se resfriem para uma temperatura abaixo da temperatura corporal central, para preservar a fertilidade masculina.  

 

Mas o que acontece com os seres ectotérmicos (antigamente chamados de seres de seres de “sangue frio”), cuja manutenção da temperatura corporal depende de fontes externas? Eles representam a grande maioria da biodiversidade, são diretamente influenciados pelas mudanças no ambiente térmico, e ainda assim, a preservação de suas funções reprodutivas não tem recebido atenção.  

 

Como foi realizado o estudo?  

Os experimentos usados para encontrar as respostas foram conduzidos com o Tribolium castaneum, o besouro castanho. O estudo replicou as condições de uma onda de calor a fim de mensurar sua influência na performance reprodutiva de machos e fêmeas; a seguir, buscou identificar qual foi o impacto específico e avaliar suas consequências transgeracionais.  

 

O estudo concluiu que:  

  • As condições térmicas de uma onda de calor (5 a 7°C acima do ideal do sistema durante 5 dias) danificaram o potencial reprodutivo masculino, mas a fertilidade das fêmeas não foi afetada; 
  • A primeira onda de calor reduziu a fertilidade dos machos pela metade. Uma segunda onda de calor levou à esterilidade quase completa;  
  • O número e a viabilidade dos espermatozoides foram comprometidos, o que prejudicou sua capacidade de fertilização;  
  • O potencial reprodutivo e a vida útil da prole também foram reduzidos. 

 

 

Os resultados são preocupantes: uma grande parte da biodiversidade, composta por espécies ectotérmicas, pode estar ameaçada pelas intensas mudanças climáticas. A reprodução e a fertilidade masculina comprometida em diversas espécies são novos perigos que o aquecimento global apresenta para a preservação do ecossistema.  

 

Efeitos nos mamíferos 

Sendo os mamíferos seres endotérmicos, ou seja, que mantém a temperatura corporal estável independente das alterações ambientais, seria natural pensar que eles não sofreriam os mesmos efeitos que o besouro castanho com o aumento da temperatura. No entanto, estudos realizados em gados bovinos indicam que os mamíferos também tem razões para se preocupar.  

 

Os estudos apontam que, especialmente em países de clima tropical ou subtropical, as ondas de calor podem afetar a qualidade do esperma dos touros. Os efeitos podem ser maiores ou menores dependendo da raça do animal, mas fica claro que, em altas temperaturas, o desempenho reprodutivo é reduzido.  

 

Com essas conclusões, será que podemos assumir que a fertilidade masculina de outros mamíferos, como os próprios seres humanos, também será ameaçada pelas severas mudanças climáticas?  

 

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