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O que é azoospermia?

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Pacientes que apresentam infertilidade conjugal e desejam engravidar devem recorrer a uma investigação médica para ter conhecimento dos fatores que causam o quadro. Durante esse processo minucioso, pode ser que o homem seja diagnosticado com azoospermia.

De acordo com dados da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), de 1% a 2% dos homens adultos podem ter diagnóstico de azoospermia — uma alteração caracterizada pela ausência de espermatozoides no ejaculado. Em casos específicos de infertilidade, essa porcentagem pode chegar a 15% a 20%. Por isso, torna-se fundamental30

O que é azoospermia e quais os tipos?

Detectada por meio do espermograma, a azoospermia se caracteriza pela ausência de espermatozoides no sêmen. Isso faz com que o homem não seja capaz de engravidar sua parceira tanto por métodos naturais como por técnicas da reprodução assistida, pois não há gametas disponíveis para fertilizar o óvulo.

A azoospermia pode ser dividida em dois tipos: obstrutiva (ou excretora) e não-obstrutiva (ou secretora). Entenda cada uma delas a seguir.

Azoospermia obstrutiva

Na azoospermia obstrutiva, os espermatozoides são produzidos normalmente, mas há uma obstrução nos ductos seminais que impede a chegada dos espermatozoides à uretra, fazendo com que não sejam liberados na ejaculação. A azoospermia obstrutiva pode ser causada (por):

  • Intencionalmente pós-vasectomia;
  • Agenesia dos ductos deferentes e/ou vesículas seminais;
  • Infecções sexualmente transmissíveis;
  • Ejaculação retrógrada.

Azoospermia não-obstrutiva

A azoospermia não-obstrutiva é caracterizada pela ausência de produção de espermatozoides pelo testículo ou por uma produção muito escassa — quantidade tão mínima que não chega a ser liberada no sêmen. As principais causas podem ser:

  • Doenças genéticas;
  • Hipogonadismo, doença em que os testículos não produzem quantidades adequadas de testosterona;
  • Síndrome de Klinefelter, síndrome de cunho genético;
  • Microdeleção do cromossomo Y;
  • Criptorquidia, quando um ou ambos os testículos não descem para o escroto;
  • Radioterapia e quimioterapia, realizadas no tratamento do câncer;
  • Traumas, que podem ser originados por acidentes ou lesões na região.

Sintomas da azoospermia e diagnóstico

Embora o homem possa ter conhecimento de o que é azoospermia, diferentemente de outros distúrbios masculinos, a condição não apresenta sinais e sintomas específicos que ajudem a alertar o paciente. O indivíduo geralmente recebe o diagnóstico somente quando começa a ser investigado por não conseguir engravidar a parceira.

Para o diagnóstico, primeiro é realizado o exame físico para avaliar se os testículos estão normais ou se apresentam alterações como atrofia ou redução de tamanho. Para fechar o diagnóstico, o médico solicitará o espermograma e para um diagnóstico mais preciso, há testes adicionais para comprovação de azoospermia realizados em laboratórios especializados em Andrologia.

De acordo com o resultado do exame, o especialista pode solicitar uma avaliação histológica dos testículos. Se for constado a ausência de espermatogênese nos diferentes estágios, é confirmado o diagnóstico de azoospermia.

Tratamento para azoorpermia

O tratamento para azoospermia obstrutiva dependerá do seu agente causador. O médico avaliará cada caso individualmente e pode ser necessário desde o uso de remédios até realização de cirurgias para desobstruir as vias seminais.

Já para a azoospermia não obstrutiva, caso não haja sucesso no tratamento clínico, o paciente pode ser submetido a microcirurgia (cirurgia realizada com microscópio cirúrgico), para que os espermatozoides sejam retirados diretamente dos testículos ou dos epidídimos. As mais comuns são:

  • Micro-TESE (extração microcirúrgica de espermatozoides do testículo): é a técnica mais difundida, que possui como objetivo recuperar espermatozoides diretamente dos testículos;
  • MESA (extração microcirúrgica de espermatozoides do testículo): essa técnica extrai espermatozoides dos epidídimos;
  • PESA (aspiração percutânea de espermatozoides do epidídimo): uma agulha ultrafina é introduzida superficialmente na região dos epidídimos. Não precisa ser realizada em centro cirúrgico, porém a qualidade do material pode ser menor.

O material proveniente da cirurgia pode ser criopreservado e utilizado posteriormente em técnicas da reprodução assistida.

Assim como qualquer outra doença que acomete o homem, é necessário que o indivíduo esteja sempre em contato com um profissional da área, realizando exames de rotina e mantendo-se informado, não apenas sobre o que é azoospermia, mas de outros problemas da saúde masculina.

Fontes:

Clínica de Andrologia Dr. Jorge Hallak

Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo (SBU-SP).